Emily Brontë na Academia (2)

O trabalho postado hoje é um pouco diferente, pois, não se trata de um estudo exclusivamente bronteano. Ao analisar os arquétipos criados por imagens na literatura, a tese estuda três grandes obras: “Madame Bovary”, de Gustave Flaubert; “Decamerão”, de Giovanni Boccaccio; e ”O Morro dos Ventos Uivantes”, de Emily Brontë.

Uma educação da alma: literatura e imagem arquetípica – Eliana Braga Aloia Atihé

Resumo:

“Esta tese procura registrar uma história de vida articulada por imagens da literatura apropriadas pela subjetividade no sentido de uma educação do cultivo da alma. Para isso, lanço-me, a partir de alguns trajetos de leitura, a um percurso teórico-analítico de cunho antropoliterário, no qual o texto é compreendido como mito e incorporado à história de vida do leitor como mediador simbólico inter e intrasubjetivo, cuja abertura semântica deve-se justamente à presença da imagem arquetípica segundo noção de James Hillman (1995:10). Os potenciais pedagógicos da literatura são veiculados pelas imagens portadoras do arquétipo como “janelas de aprendizagem” (Paula Carvalho) que permitem que o leitor transite do texto à existência e de volta, num circuito que o auxilia a promover a equilibração de polaridades e a elaboração criativa da alteridade representada, em última instância, pelo inconsciente, no sentido da construção da identidade do ego e em direção à individuação. São eixos organizadores: (1) a Arquetipologia Geral no contexto da Teoria Geral do Imaginário, de Gilbert Durand; (2) a noção de imagem no contexto da Psicologia Arquetípica, segundo James Hillman e (3) a noção de Educação Fática em José Carlos de Paula Carvalho. A partir de uma perspectiva hermenêutica que procura a abertura do discursivo rumo ao existencial (Paula Carvalho, 1998:59), recolho imagens de três obras clássicas da literatura, lidas por mim aos treze anos de idade, e que me conduziram na direção da descoberta da imagem essencial – a da educadora -, processo no qual enxergo a finalidade última da educação. As referidas obras lidas à margem da escola tornaram-se especialmente significativas devido à dinâmica proposta pela dimensão escolar oficial, também ela imprescindível para que a experiência com o significado se construísse. Retorno assim a Madame Bovary, de Gustave Flaubert, como exemplo de uma literatura para a formação da sensibilidade heróica; ao Decamerão, de Giovanni Boccaccio, como exemplo de uma literatura para a formação da sensibilidade mística e a O morro dos ventos uivantes, de Emily Brontë, como exemplo de uma literatura para a formação da sensibilidade dramática.”

Essa tese encontra-se disponível online no site da instituição através deste link.

Boa leitura!

ATIHÉ, Eliana Braga Aloia. Uma educação da alma: literatura e imagem arquetípica. 2006. 341f. Tese (Doutorado em Educação), Universidade de São Paulo, Faculdade de Educação, São Paulo, 2006.

Emily Brontë na Academia (1)

Tese de Doutorado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal da Paraíba.

A subversão das relações coloniais em O Morro dos Ventos Uivantes: questões de gênero – Daise Lílian Fonseca Dias

Resumo:

“O objetivo desta pesquisa é analisar O Morro dos Ventos Uivantes (1847), da escritora inglesa Emily Brontë (1818-48), sob a perspectiva póscolonial, tomando como base os estudos de Said (1994; 2003), Ashcroft et al (2004), Loomba (1998), e Boehmer (2005), dentre outros. Percebe-se na literatura inglesa um padrão repetitivo de representação das relações coloniais – sobretudo até 1847, ano da publicação da obra em estudo – que enaltece os ingleses e sua cultura, e que desqualifica os povos de pele escura, assim como suas respectivas culturas. Esses povos são, em geral, representados de forma preconceituosa e sob o domínio do imperialismo inglês. O romance de Brontë subverte esse tipo de representação porque o protagonista, um cigano estrangeiro, Heathcliff, consegue reverter as relações socioeconômicas impostas por seus opressores, os ingleses que o cercam, e, consequentemente, subjuga-os de forma análoga à sua própria experiência. Destaca-se, nesta obra, seu caráter subversivo, porque a narrativa passa-se na Inglaterra, o que confere ao feito de Heathcliff um valor significativo, uma vez que ele obtém sucesso em relação a algo que despertava grande temor para os ingleses: serem vítimas das forças de raças escuras em seu próprio território, a Inglaterra.”

Essa tese encontra-se disponível online no site da instituição através deste link.

Boa leitura!

DIAS, Daise Lílian Fonseca. A subversão das relações coloniais em O Morro dos Ventos Uivantes: questões de gênero. 2011. 282f. Tese (Doutorado em Letras), Universidade Federal da Paraíba, Departamento de Letras, João Pessoa, 2011.

Charlotte Brontë na Academia (2)

Artigo publicado pela Revista de Letras, ligada a Universidade Católica de Brasília.

Villette de Charlotte Brontë: uma tentativa em direção à visibilidade – Carla Alexandra Ferreira

Resumo:

“Neste artigo pretendo mostrar como o romance Villette reproduz e, ao mesmo tempo, tenta construir um novo conjunto de ideias no que diz respeito à posição da mulher na sociedade. Assim, procuro demonstrar que a categoria de gênero é um constructo histórico e cultural, e não uma condição natural.”

Esse artigo encontra-se disponível online no site da publicação através deste link.

Boa leitura!

Anne Brontë na Academia (1)

Artigo publicado pela Revista Gênero, ligada a Universidade Federal Fluminense.

Anne Brontë: a voz esquecida da literatura inglesa –  Márcia Cavendish

Resumo:

“A idéia central deste ensaio é apontar as ligações entre três escritoras do século XIX: Emily, Charlotte e Anne Brontë, irmãs inglesas de grande talento literário e desbravadoras de um universo até então proibido às mulheres. Ao fazê-lo, buscaram esconder-se no início sob pseudônimo masculino, seguindo o exemplo de outras mulheres da mesma fase, tais como George Eliot e George Sand. As confusões criadas pelos leitores e principalmente pela crítica em torno da autoria real de seus romances levaram-nas a assumir suas identidades verdadeiras e abandonar os disfarces de Acton, Currer e Elis Bell, tornando-se respectivamente Anne, Charlotte e Emily Brontë. A esta altura, entretanto, o sucesso de Currer Bell (Charlotte Brontë) já se espalhara por toda a Inglaterra e atingira a América, com o romance Jane Eyre que, apesar das críticas controversas e principalmente moralistas que lhes foram dirigidas, rapidamente caiu na preferência do grande público leitor. O mesmo aconteceria com Wuthering Heights alguns anos mais tarde. Anne Brontë, entretanto, apesar de ser escritora igualmente talentosa, não foi festejada. Muito ao contrário, recusada pela crítica moralista e mais tarde pela literária, permaneceu por todos esses anos no território do esquecimento. Este trabalho tenta elucidar as razões do ostracismo a que tantas gerações a condenaram e recuperá-la através de suas obras (Agnes Grey e The Tenant of Wildfell Hall) e de sua biografia urdida à sombra das irmãs.”

Esse artigo encontra-se disponível online no site da publicação através deste link.

Achei interessantíssimo encontrar um artigo que aborda a menos estudada, e lida, das Brontë; e que discorre sobre seu “apagamento” diante do imenso sucesso das irmãs.

Boa leitura!

CAVENDISH, Márcia. Anne Brontë: a voz esquecida da literatura inglesa. Revista Gênero.  Niterói, v. 6, n. 1, p. 173-199, 2. sem. 2005 .

Charlotte Brontë na Academia (1)

Encontrei em meus arquivos esta tese de doutorado que minha querida amiga Joyce havia me enviado há tempos.

A estética da dissonância nas obras de Charlotte Brontë – Patricia Carvalho Rocha

Resumo:

“Charlotte Brontë (1816-1855), figura importante no questionamento da ideologia do feminino na sociedade vitoriana, evidencia em suas obras não apenas uma preocupação com a arbitrariedade atrelada ao conceito de gênero no século XIX, mas também uma reflexão sobre esse conceito por meio de personagens construídas em dissonância com a ideologia do período. Em The Professor, Jane Eyre, Shirley e Villette apresentam  personagens à margem dos ideais de gênero comuns no século XIX e que questionam explicitamente o paralelismo vigente na época entre sexo e gênero, assim como a crença em uma suposta essência do feminino capaz de justificar uma postura submissa da mulher perante o homem. Objetivando uma leitura contemporânea das discussões apresentadas por Brontë em seus romances, valho-me de teorias de gênero de cunho social e performático, mais especificamente da vertente proposta por Judith Butler, nas quais se vislumbra um novo paradigma capaz de abarcar a fragmentação, o pluralismo e a multiplicidade de possibilidades performáticas nas questões de gênero, conforme apresentado pela autora.”

Essa tese está disponível online na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFMG através deste link.

Compartilho-a, agora, com vocês. Boa leitura!

ROCHA, Patricia Carvalho. A estética da dissonância nas obras de Charlotte Brontë. 2008. 236f. Tese (Doutorado em Estudos Literários), Universidade Federal de Minas Gerais, Faculdade de Letras, Belo Horizonte, 2008.