Os 10 mais de tudo – com Michael Fassbender e Mia Wasikowska

Fassbender e Wasikowska. Experimente dizer isso três vezes bem rápido!

Brincadeiras a parte, 2011 foi o ano para os dois atores. Receberam críticas sólidas e têm novos projetos interessantes vindo por aí. E a tradicional lista da Time Magazine, “The Top 10 of Everything of 2011″ não me deixa mentir.

Na categoria de melhores atuações de 2011, masculino e feminino, respectivamente, nossos queridos Rochester e Jane aparecerem em ótimas posições.

Michael Fassbender figura em 2º lugar, ficando atrás de Brad Pitt, mas sendo destaque acima de nomes como Woody Harrelson, Michael Lonsdale, Rob Brydon e Steve Coogan.

Já Mia Wasikowska figura em 4º lugar, atrás de Meryl Streep e do elenco do elogiado “The Help”.

2011 realmente foi o ano deles! Engraçado é que minha primeira impressão da mais recente adaptação de Jane Eyre não havia sido das mais boas, por isso não havia tido vontade de escrever sobre a mesma, justamente com medo de ser parcial. Mas, após rever o filme algumas várias vezes, devo dizer que minha opinião mudou – e muito! Em breve postarei minhas impressões. E já aproveito para me desculpar pela escassez de minha presença, mas meu semestre na faculdade ainda não terminou…

Abraços bronteanos! ;)

Emily Brontë na Academia (2)

O trabalho postado hoje é um pouco diferente, pois, não se trata de um estudo exclusivamente bronteano. Ao analisar os arquétipos criados por imagens na literatura, a tese estuda três grandes obras: “Madame Bovary”, de Gustave Flaubert; “Decamerão”, de Giovanni Boccaccio; e ”O Morro dos Ventos Uivantes”, de Emily Brontë.

Uma educação da alma: literatura e imagem arquetípica – Eliana Braga Aloia Atihé

Resumo:

“Esta tese procura registrar uma história de vida articulada por imagens da literatura apropriadas pela subjetividade no sentido de uma educação do cultivo da alma. Para isso, lanço-me, a partir de alguns trajetos de leitura, a um percurso teórico-analítico de cunho antropoliterário, no qual o texto é compreendido como mito e incorporado à história de vida do leitor como mediador simbólico inter e intrasubjetivo, cuja abertura semântica deve-se justamente à presença da imagem arquetípica segundo noção de James Hillman (1995:10). Os potenciais pedagógicos da literatura são veiculados pelas imagens portadoras do arquétipo como “janelas de aprendizagem” (Paula Carvalho) que permitem que o leitor transite do texto à existência e de volta, num circuito que o auxilia a promover a equilibração de polaridades e a elaboração criativa da alteridade representada, em última instância, pelo inconsciente, no sentido da construção da identidade do ego e em direção à individuação. São eixos organizadores: (1) a Arquetipologia Geral no contexto da Teoria Geral do Imaginário, de Gilbert Durand; (2) a noção de imagem no contexto da Psicologia Arquetípica, segundo James Hillman e (3) a noção de Educação Fática em José Carlos de Paula Carvalho. A partir de uma perspectiva hermenêutica que procura a abertura do discursivo rumo ao existencial (Paula Carvalho, 1998:59), recolho imagens de três obras clássicas da literatura, lidas por mim aos treze anos de idade, e que me conduziram na direção da descoberta da imagem essencial – a da educadora -, processo no qual enxergo a finalidade última da educação. As referidas obras lidas à margem da escola tornaram-se especialmente significativas devido à dinâmica proposta pela dimensão escolar oficial, também ela imprescindível para que a experiência com o significado se construísse. Retorno assim a Madame Bovary, de Gustave Flaubert, como exemplo de uma literatura para a formação da sensibilidade heróica; ao Decamerão, de Giovanni Boccaccio, como exemplo de uma literatura para a formação da sensibilidade mística e a O morro dos ventos uivantes, de Emily Brontë, como exemplo de uma literatura para a formação da sensibilidade dramática.”

Essa tese encontra-se disponível online no site da instituição através deste link.

Boa leitura!

ATIHÉ, Eliana Braga Aloia. Uma educação da alma: literatura e imagem arquetípica. 2006. 341f. Tese (Doutorado em Educação), Universidade de São Paulo, Faculdade de Educação, São Paulo, 2006.

Mr. Rochester virou mutante

Hoje estreia nos cinemas nacionais a prequel de uma das mais bem sucedidas HQ’s criadas pelo gênio Stan Lee: X-Men – Primeira Classe.

E Magneto, personagem fantasticamente interpretado por Sir Ian McKellen na trilogia original, é agora Michael Fassbender, nosso mais recente Mr. Rochester.

Michael Fassbender como Mr.Rochester em Jane Eyre (2011).

Michael Fassbender como Magneto em X-Men: Primeira Classe (2011)

Brontë com superpoderes.

O que Charlotte Brontë diria…

…se visse seu retrato estampando um dos romances de Jane Austen?

Sim, eu sei que isso não é novidade há tempos, mas é sempre bom nos lembrarmos que um trabalho editorial mal feito sempre resulta em algum desastre. Afinal, é de conhecimento geral que Brontë não era a maior entusiasta de Austen, classificando seus romances como “não muito estimulantes”.

Não quero de forma alguma começar um debate sobre qual autora é melhor. Muito pelo contrário. Considero ambas extremamente distintas, tanto em seus escritos como na vida particular e personalidades; porém, igualmente grandes escritoras e importantes marcos na história da literatura inglesa e mundial. Enquanto Austen retrata de forma fiel, entremeada por uma fina ironia apenas perceptível a seus pares, as peripécias ocorridas no countryside inglês; Brontë (e aqui generalizo para abarcar as três irmãs) foge de tal cenário, encontrando no imaginário fantasioso e dramático, o escape para as infelicidades de sua própria realidade.

Agora, cometer uma gafe monstruosa como essa, com tanta informação disponível ao alcance de todos, para mim, é imperdoável.

Sobre traduzir


"Eu lembro que na época em que traduzia, eu me sentia como se
estivesse desmanchando a costura, desmanchando o crochê de certos
escritores, descobrindo os pontos, os truques prediletos deles."
Rachel de Queiroz

“O meu sonho era que acontecesse alguma coisa capaz de libertar Wuthering Heighs e Trushcross Grange da presença do sr. Heathcliff, deixando-nos viver como antes da sua vinda. Aquelas visitas eram para mim um pesadelo contínuo; e desconfio que o era também para o sr. Edgar. A estada de Heathcliff em Wuthering Heighs causava-me um peso inexplicável no coração. Sentia que Deus abandonara a ovelha tresmalhada, e uma fera impiedosa se emboscava entre ela e o aprisco, esperando a sua hora de atacar e matar.”

BRONTË, Emily. O morro dos ventos uivantes. Excerto. Tradução de Rachel de Queiroz. São Paulo: Abril, 2010.  p.136-137.