Brontë no Etsy.com

Vi o link dos produtos no Facebook e, ao passear pelo Etsy – site com milhares de coisas handmade lindas e exclusivas – apaixonei-me por estes braceletes maravilhosos que trazem trechos de “O Morro dos Ventos Uivantes” e “Jane Eyre”.

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A vendedora – JezebelCharms - possui uma enorme linha de produtos inspirados em obras da literatura, de autores como Jane Austen, Edgar Allan Poe e outros.

Já pode pedir um de cada?

Linda coleção brontëana da Juniper Books

Passeando pelo Tumblr, vejo essa coleção linda e super delicada que a Juniper Books preparou com todas as obras das irmãs Brontë. As edições dos livros são da Folio Society, customizadas com um design floral em lilás.

Quer presente mais lindo?

Essa caixinha fofa sai por “apenas” 300 dólares! Quem se habilita? :P

O Morro dos Ventos Uivantes – Coleção Excelsior (Ou ‘Era uma vez uma novela’)

Vejam só que preciosidade encontrei na biblioteca de um colégio aqui de Belo Horizonte por esses dias – os dois volumes da antiga Coleção Excelsior d’O Morro dos Ventos Uivantes, com tradução de José Maria Machado:

Não consta nos livros a data da edição, tampouco consegui encontrar em minha pesquisa na internet. Se alguém souber, por favor, avise! ;)

Gosto muito de traduções antigas e essa me chamou a atenção por trazer mudanças nos nomes de alguns personagens. Catherine, por exemplo, virou Catarina! (achei muito engraçado).

Até na “Nota Explicativa” que prefaceia o livro, Mário Graciotti traduz os nomes das irmãs Brontë – Charlotte vira Carlota e Anne vira Ana – com apenas Emily permanecendo sem mudanças. (E por que não, Emília?).

Os outros títulos das irmãs também sofrem alterações, sendo o mais interessante “O Campeão de Widfell Hall”. Se alguém entender a lógica dessa tradução, favor se pronunciar por aqui.

 

Abaixo, seguem os trechos do final de cada volume:

 

 

Curiosidade: ao pesquisar sobre essa coleção, descobri que, em 1967 na extinta Tv Excelsior, Lauro César Muniz – famoso autor de novelas – adaptou a obra de Emily para a televisão.

Altair Lima interpretou Heathcliff e Irina Greco ficou o papel de Catharine, ou melhor, Catarina, já que o nome também foi traduzido. Será que o autor se baseou na tradução dessa coleção?

Altair Lima (1936 - 2002)

Irina Greco (1939 - )

Devo confessar que sempre adorei uma boa novela, mas, estou decepcionadíssima com a nova safra de autores. Antigamente, como bem diz minha mãe, eram feitas boas adaptações de obras clássicas da literatura, como ‘A Moreninha’, ‘Senhora’, ‘Helena’, ‘A Sucessora’, ‘Éramos seis’, dentre tantas outras.

Acho que as redes de televisão brasileira deveriam resgatar essa prática, afinal, os clássicos nunca morrem e sempre permanecem atuais. A BBC e a ITV, no Reino Unido, sabem disso e valorizam sempre o legado de sua literatura. Por que não podemos fazer o mesmo?

Tenho certeza que adaptações nesse estilo dariam muito mais audiência do que qualquer roteiro bobo que se encontra no ar ultimamente.

Trailer – O Morro dos Ventos Uivantes (2011)

Finalmente, saiu o primeiro “trailer completo” da mais nova adaptação bronteana do pedaço.

Confesso que estou cada vez mais ansiosa por esta versão. O peso do silêncio, entrecortado apenas pelo sussurrar do vento, e o ar gótico bem acentuado são o que mais chama a atenção.

O filme será lançado no dia 11 de novembro na Inglaterra e não há previsão de estreia no Brasil.

O Morro dos Ventos Uivantes (2011) – Clipes e Ponderações

O Festival de Veneza chegou ao seu último dia com grandes promessas para a temporada de prêmios. E a mais nova adaptação baseada no livro homônimo de Emily Brontë conseguiu deixar, de forma geral, boas impressões nos críticos presentes. Apesar de uma ou outra resenha mais negativa, o filme alcançou uma média de 3 estrelas (em 5) em diversos jornais e colunas especializadas.

Um dos pontos mais comentados é o fato do personagem de Heathcliff ser interpretado por um negro (como comentei aqui), bem como o tema da exploração infantil ser abordado mais profundamente pela diretora Andrea Arnold, de forma a mostrar como seu passado sombrio foi crucial na formação de seu caráter.

Dizem que o filme não é lá muito fiel ao material de origem, focando apenas na relação entre Cathy e Heathcliff, e que possui uma grande dose de licença poética, mas, que consegue transmitir de maneira eficaz a força rudimentar que emana da obra de Emily.

4 clipes foram disponibilizados no youtube, e os mostro aqui para vocês:

Devo confessar que após tantas versões, não conseguia imaginar como algo novo poderia ser representado nas telas, mas, vou ter que dar o braço a torcer.

O elenco do filme no 68º Festival de Veneza

 

Espero ansiosa por sua estreia nos cinemas.

68º Festival de Cinema de Veneza – O Morro dos Ventos Uivantes

No dia 31 de agosto de 2011 começa o 68º Festival de Cinema de Veneza. Assim como Cannes, o festival de Veneza é considerado por vários críticos como um evento de enorme prestígio no qual diversos filmes são lançados – muitos deles com grandes possibilidades de serem indicados aos mais importantes prêmios na temporada de fim de ano.

Na edição desse ano, os fãs brontëanos têm muito o que comemorar! Será lançado no festival a mais nova versão de “O Morro dos Ventos Uivantes”, dirigido por Andrea Arnold (que também é atriz) e ficou conhecida por seu filme Fish Tank, que não por acaso, tem Michael Fassbender no elenco.

Apesar do livro de Emily Brontë ser um dos que mais foram adaptados – seja para o cinema ou para a televisão – essa nova produção tem conseguido criar um certo buzz entre os fãs e críticos da obra. Um dos pontos mais discutidos por todos é que, pela primeira vez na história de todas as adaptações possíveis e imagináveis, Heathcliff será interpretado por um ator negro. Ora, o personagem sempre foi descrito nos livros como “de pele escura e queimada de sol” mas sempre foi interpretado por “galãs” de cada época, como Sir Laurence Olivier, Ralph Fiennes e Tom Hardy – todos brancos e bastante diferentes daquilo que nos é apresentado na obra de Brontë. O que não deixa de no mostrar que, apesar de grandes atores, a escolha de cada um deles para o papel principal demonstra um certo preconceito velado que existe na sociedade.

James Howson fará sua estreia nos cinemas como um dos personagens mais complexos de todos os tempos, ao lado da bela atriz Kaya Scodelario (que é metade brasileira!) no papel de Cathy, mais conhecida por sua participação do seriado britânico Skins.

James Howson

Kaya Scodelario

A estreia nos cinemas será no dia 30 de setembro (Inglaterra) e por enquanto ainda não há previsão do lançamento do filme em outros países.

Emily Brontë na Academia (2)

O trabalho postado hoje é um pouco diferente, pois, não se trata de um estudo exclusivamente bronteano. Ao analisar os arquétipos criados por imagens na literatura, a tese estuda três grandes obras: “Madame Bovary”, de Gustave Flaubert; “Decamerão”, de Giovanni Boccaccio; e ”O Morro dos Ventos Uivantes”, de Emily Brontë.

Uma educação da alma: literatura e imagem arquetípica – Eliana Braga Aloia Atihé

Resumo:

“Esta tese procura registrar uma história de vida articulada por imagens da literatura apropriadas pela subjetividade no sentido de uma educação do cultivo da alma. Para isso, lanço-me, a partir de alguns trajetos de leitura, a um percurso teórico-analítico de cunho antropoliterário, no qual o texto é compreendido como mito e incorporado à história de vida do leitor como mediador simbólico inter e intrasubjetivo, cuja abertura semântica deve-se justamente à presença da imagem arquetípica segundo noção de James Hillman (1995:10). Os potenciais pedagógicos da literatura são veiculados pelas imagens portadoras do arquétipo como “janelas de aprendizagem” (Paula Carvalho) que permitem que o leitor transite do texto à existência e de volta, num circuito que o auxilia a promover a equilibração de polaridades e a elaboração criativa da alteridade representada, em última instância, pelo inconsciente, no sentido da construção da identidade do ego e em direção à individuação. São eixos organizadores: (1) a Arquetipologia Geral no contexto da Teoria Geral do Imaginário, de Gilbert Durand; (2) a noção de imagem no contexto da Psicologia Arquetípica, segundo James Hillman e (3) a noção de Educação Fática em José Carlos de Paula Carvalho. A partir de uma perspectiva hermenêutica que procura a abertura do discursivo rumo ao existencial (Paula Carvalho, 1998:59), recolho imagens de três obras clássicas da literatura, lidas por mim aos treze anos de idade, e que me conduziram na direção da descoberta da imagem essencial – a da educadora -, processo no qual enxergo a finalidade última da educação. As referidas obras lidas à margem da escola tornaram-se especialmente significativas devido à dinâmica proposta pela dimensão escolar oficial, também ela imprescindível para que a experiência com o significado se construísse. Retorno assim a Madame Bovary, de Gustave Flaubert, como exemplo de uma literatura para a formação da sensibilidade heróica; ao Decamerão, de Giovanni Boccaccio, como exemplo de uma literatura para a formação da sensibilidade mística e a O morro dos ventos uivantes, de Emily Brontë, como exemplo de uma literatura para a formação da sensibilidade dramática.”

Essa tese encontra-se disponível online no site da instituição através deste link.

Boa leitura!

ATIHÉ, Eliana Braga Aloia. Uma educação da alma: literatura e imagem arquetípica. 2006. 341f. Tese (Doutorado em Educação), Universidade de São Paulo, Faculdade de Educação, São Paulo, 2006.

Emily Brontë na Academia (1)

Tese de Doutorado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal da Paraíba.

A subversão das relações coloniais em O Morro dos Ventos Uivantes: questões de gênero – Daise Lílian Fonseca Dias

Resumo:

“O objetivo desta pesquisa é analisar O Morro dos Ventos Uivantes (1847), da escritora inglesa Emily Brontë (1818-48), sob a perspectiva póscolonial, tomando como base os estudos de Said (1994; 2003), Ashcroft et al (2004), Loomba (1998), e Boehmer (2005), dentre outros. Percebe-se na literatura inglesa um padrão repetitivo de representação das relações coloniais – sobretudo até 1847, ano da publicação da obra em estudo – que enaltece os ingleses e sua cultura, e que desqualifica os povos de pele escura, assim como suas respectivas culturas. Esses povos são, em geral, representados de forma preconceituosa e sob o domínio do imperialismo inglês. O romance de Brontë subverte esse tipo de representação porque o protagonista, um cigano estrangeiro, Heathcliff, consegue reverter as relações socioeconômicas impostas por seus opressores, os ingleses que o cercam, e, consequentemente, subjuga-os de forma análoga à sua própria experiência. Destaca-se, nesta obra, seu caráter subversivo, porque a narrativa passa-se na Inglaterra, o que confere ao feito de Heathcliff um valor significativo, uma vez que ele obtém sucesso em relação a algo que despertava grande temor para os ingleses: serem vítimas das forças de raças escuras em seu próprio território, a Inglaterra.”

Essa tese encontra-se disponível online no site da instituição através deste link.

Boa leitura!

DIAS, Daise Lílian Fonseca. A subversão das relações coloniais em O Morro dos Ventos Uivantes: questões de gênero. 2011. 282f. Tese (Doutorado em Letras), Universidade Federal da Paraíba, Departamento de Letras, João Pessoa, 2011.