De Jane Eyre à Emma Bovary

Saiu essa semana na imprensa internacional que nossa mais recente Jane Eyre – Mia Wasikowska – voltará ao cinema em mais uma adaptação de um grande clássico: Madame Bovary, de Gustave Flaubert.

Madame Bovary é um de meus livros favoritos e, acredito, carece de uma boa adaptação para o cinema. Incrivelmente, não consigo gostar de nenhuma das que assisti até hoje, tanto para o cinema quanto para a televisão.  A da BBC, protagonizada por Frances O’Connor conta com um elenco espetacular e, ainda assim, tem minhas ressalvas.

Emma é bem diferente de nossa querida Jane, mas, tenho certeza de que Mia fará um excelente trabalho. O filme também contará com a presença do sempre competente Paul Giamatti e será dirigido por Sophie Barthes.

Na expectativa.

O figurino de Jane Eyre na EW

Com a contagem regressiva para a grande noite do Oscar, a EW tem feito a cobertura dos indicados em várias categorias, publicando matérias muito interessantes sobre os bastidores dos melhores filmes do ano. Nesta semana, Michael O’Connor – indicado por seu trabalho em “Jane Eyre” –  foi entrevistado pela publicação revelando detalhes do processo de criação do figurino. Ele fala sobre o “mito” que subjaz o imaginário das pessoas de que vestir os homens em histórias de época é fácil, e explica detalhes sobre o tão comentado “camisolão” que Michael Fassbender veste na famosa cena do incêndio. :P

Michael também comenta sobre os vestidos de Jane, e em como a necessidade de que Mia vestisse o figurino completo – com corset e diversas camadas de tecido – o tempo todo, a ajudou a “entrar no personagem”, já que as roupas influenciavam sua postura e seu modo de atuar.

Abaixo, podemos ver um dos sketches feitos para a personagem:

A matéria completa pode ser conferida aqui.

Jane Eyre (2011) finalmente chega ao Brasil

Demorou – e muito – mas, finalmente, teremos a mais recente versão de Jane Eyre em terras tupiniquins. Começou a pré-venda da versão rental (de locadora) em DVD e Blu-Ray  do filme, que sairá pela Universal Home Video. A data de lançamento está marcada para 14 de março e, por enquanto, ainda não há previsão de venda da versão nas lojas.

Eu até que gostei da capa brasileira e espero ansiosa pelas vendas do filme para o consumidor, afinal, para pagar R$109,90, só sendo dono de locadora mesmo né?

Sobre o Globo de Ouro, Oscars e afins

Início de ano é sempre assim: faz-se um apanhado daquilo que se teve de melhor no cinema, televisão, música, etc, e começam as listas de indicados às grandes premiações.

“Jane Eyre”, apesar de citado exaustivamente como um dos destaques de 2011, acabou não sendo figurinha carimbada em grandes premiações em categorias como filme, ator/atriz e direção. Confesso que, como 2011 foi um ano excepcionalmente fraco para o cinema – quando comparado a outros em que tivemos muitos filmes ótimos – fiquei um pouco decepcionada, mas, é sempre bom ver que, pelo menos, na categoria de “Melhor Figurino” o filme marcou presença no BAFTA e no Oscar.

Ao que tudo indica, não foi apenas eu que senti falta de uma nomeação para Mia Wasikowska. A grande Meryl Streep, ao receber o Globo de Ouro de melhor atriz por “A Dama de Ferro”, citou em seu discurso as atuações marcantes do ano, e nossa querida Jane foi lembrada por ela como “fantástica”.

Já Michael Fassbender, foi indicado em várias premiações, mas por seu papel em “Shame” – sendo ignorado pelo Oscar – mas foi outro também lembrado pelo vencedor do Globo de Ouro de melhor ator, George Clooney, em seu discurso. Se bem que, na brincadeira, Michael foi lembrado mais por seus “dotes físicos” … veja abaixo e dê boas risadas!

Michael, você foi ignorado pelo Oscar, mas neste humilde bloguinho terás sempre um lugar especial. Abaixo, posto as fotos das capas e recheio das revistas GQ britânica e da Interview, ambas de fevereiro.

Claro que não poderia deixar de fora nossa querida Jane. Mia é destaque na capa de março da Vanity Fair – The Hollywood Issue – que anualmente mostra quem são as promessas da nova safra de atrizes da temporada.

De olho neles.

Michael Fassbender – o homem do ano

Hoje, dia 19 de novembro, é o dia internacional do homem. E, para não passar despercebido, resolvi aproveitar para mostrar para vocês a bela capa da GQ Magazine de dezembro, como o nosso mais recente Mr. Rochester – Michael Fassbender.

Que olhos!

Para alegria das moçoilas [e moçoilos], Michael foi considerado pela revista a “explosão” do ano. Sua performance em “Jane Eyre” foi muito elogiada, bem como sua interpretação de Carl Jung em “A Dangerous Method”. Seu mais recente trabalho, “Shame”, no qual ele interpreta um viciado em sexo, tem recebido críticas extremamente positivas e, inclusive, gerado o tão aguardado burburinho do Oscar.

Abaixo, segue o vídeo dos bastidores da sessão de fotos da GQ, no qual ele fala sobre seu livro, banda e filme preferidos do ano, além de outras coisinhas mais:

Que ano teve nosso querido Mr. Rochester!

O Morro dos Ventos Uivantes (2011) – Clipes e Ponderações

O Festival de Veneza chegou ao seu último dia com grandes promessas para a temporada de prêmios. E a mais nova adaptação baseada no livro homônimo de Emily Brontë conseguiu deixar, de forma geral, boas impressões nos críticos presentes. Apesar de uma ou outra resenha mais negativa, o filme alcançou uma média de 3 estrelas (em 5) em diversos jornais e colunas especializadas.

Um dos pontos mais comentados é o fato do personagem de Heathcliff ser interpretado por um negro (como comentei aqui), bem como o tema da exploração infantil ser abordado mais profundamente pela diretora Andrea Arnold, de forma a mostrar como seu passado sombrio foi crucial na formação de seu caráter.

Dizem que o filme não é lá muito fiel ao material de origem, focando apenas na relação entre Cathy e Heathcliff, e que possui uma grande dose de licença poética, mas, que consegue transmitir de maneira eficaz a força rudimentar que emana da obra de Emily.

4 clipes foram disponibilizados no youtube, e os mostro aqui para vocês:

Devo confessar que após tantas versões, não conseguia imaginar como algo novo poderia ser representado nas telas, mas, vou ter que dar o braço a torcer.

O elenco do filme no 68º Festival de Veneza

 

Espero ansiosa por sua estreia nos cinemas.

Jane Eyre – 1971

Esta adaptação, feita para televisão mas transmitida em alguns cinemas europeus, conta com uma dupla principal de grandes nomes: George C. Scott como Mr. Rochester e Susannah York, que faleceu recentemente, como Jane Eyre. Considero essa versão uma das mais densas já feitas, tamanha a intensidade da interpretação dada pelos atores aos personagens. Apesar de repetir alguns dos mesmos erros da adaptação de 1943 - como a grande diferença de idade dos atores – a relação estabelecida entre eles supera, e muito, a versão de Welles. É mais fidedigna ao material original, e possui algumas cenas memoráveis, como Mr. Rochester cantando.

York, devo ressaltar, nos entrega uma Jane muito mais convincente do que a feita por Joan Fontaine, e Scott, apesar de raivoso às vezes, rouba todas as cenas em que aparece – tanto que recebeu indicação ao Emmy de melhor ator na categoria série/filme para TV.

Outro ponto importantíssimo a destacar é a maravilhosa trilha sonora de ninguém menos que John Williams, grande compositor de trilhas como “Guerra nas Estrelas”, “Indiana Jones”, “Harry Potter” e outras tantas memoráveis do cinema. As músicas são belíssimas e dão um toque especial a todo o filme.

Com relação as edições lançadas em DVD, não irei reclamar muito, pois como o filme se encontra em Domínio Público e dificilmente receberia o tratamento digno que merece. O que não deixa de ser uma lástima.

A edição brasileira

Jane Eyre 1970

Lançada com tratamento bem simples, para ser vendida em bancas, a versão de 1971 não possui nenhum tipo de informação especial ou extras. A capa não chega a ser feia, até gosto desse ar de “pintura” dos personagens. Essa capa também foi lançada em outros países.

Na Amazon é possível encontrar uma versão mais recente, lançada em 2010, com uma capa diferente, mas que também peca por não trazer extras ou tampouco uma remasterização do filme.

Jane Eyre 1970 - EUA

Para os fãs de Jane Eyre, recomendo a versão. Superior a de 1943, mas longe de ser a melhor já feita até hoje.

Abaixo, segue um vídeo com a música mais bela do filme (em minha opinião) “Reunion”.

Jane Eyre em DVD e Blu-Ray

Segundo informação disponibilizada na página do filme no facebook, Jane Eyre chegará em DVD e Blu-Ray nos EUA e Inglaterra no dia 16 de agosto. E nós, pobres tupiniquins, ainda nem vimos o filme aparecer nos cinemas daqui…

Jane Eyre Blu-Ray

Infelizmente, esse tipo de filme demora muito a chegar no Brasil – isso quando não é lançado muito tempo depois apenas em home video.  Só nos resta esperar. :(

Jane Eyre – 1943

Orson Welles como Mr. Rochester. Joan Fontaine como a personagem título. Roteiro adaptado a oito mãos, com um par pentencente ao consagrado escritor Aldous Huxley, baseado no livro homônino e na adaptação feita para o rádio. Grandes atores, um material de origem forte, não tem como dar errado. Certo? Não totalmente.

Sei que piso em um terreno movediço, afinal, muitos a consideram uma das melhores versões já produzidas. Mas acredito que tal mérito reside unicamente na produção – com a fotografia lúgubre e a fenomenal trilha sonora e mixagem de som – e na performance dos atores.

Como admiradora da obra, considero-me o tipo de fã que preza pela fidelidade extrema ao material de origem. Admito, sim, mudanças de transposição, afinal, o discurso fílmico difere em vários aspectos do discurso literário. Mas, mudanças drásticas na história não são muito de meu gosto tradicionalista.

Primeiramente, um dos pontos mais baixos da adaptação reside no roteiro. Aldous Huxley, que também adaptou a versão de Orgulho & Preconceito (1940) com Laurence Olivier, é famoso por suas mudanças drásticas na história original. Os grandes marcos da trama estão presentes, mas, senti  falta de algo que tornasse a narrativa mais orgânica, e assim, natural ao espectador.

Outro aspecto que me incomoda um pouco é a idade dos atores. Não que isso atrapalhe o filme, mas, peca com a verossimilhança dos personagens criados. Afinal, Jane Eyre tinha apenas 18 anos quando se mudou para Thornfield Hall e Joan Fontaine tinha 26 anos quando interpretou a personagem. Ademais, muitos a consideram muito bela para o papel – o que ela realmente é. No livro, Jane sempre é descrita como uma garota comum, ordinária, sem grandes atributos. Apesar desses pequenos detalhes, acredito que Joan consegue capturar a essência da pequena Jane, bem como todos os seus dilemas.

Orson Welles é um caso à parte. A interpretação explosiva do ator emana todo o conflito que jaz no interior de Mr. Rochester, o que o torna um personagem assustador no início. Mas, que conquista a simpatia do espector ao longo da projeção.

Resumindo: para aqueles que não se preocupam com a fidelidade à obra é uma boa adaptação, com produção bem cuidada e interpretações constantes.

A edição brasileira

Como colecionadora, sinto-me constrangida pela edição que temos aqui em nosso país. Lançada pela editora Versátil, a obra recebeu tratamento de DVD de banca, com acabamento de má qualidade, além de nenhum extra.

A segunda versão, com outra capa, é tão medonha que tenho arrepios só de olhar!

Já na Amazon, é possível encontrar uma versão mais polida, com tratamento e apresentação dignos de um clássico.

Essa versão, além de remasterizada, possui extras de produção, story boards e mais.

Resumindo²: É possível encontrar a versão no Brasil, porém, os colecionadores deverão se contentar com uma versão mal tratada do filme, indigna do material que abriga.