Orson Welles como Mr. Rochester. Joan Fontaine como a personagem título. Roteiro adaptado a oito mãos, com um par pentencente ao consagrado escritor Aldous Huxley, baseado no livro homônino e na adaptação feita para o rádio. Grandes atores, um material de origem forte, não tem como dar errado. Certo? Não totalmente.
Sei que piso em um terreno movediço, afinal, muitos a consideram uma das melhores versões já produzidas. Mas acredito que tal mérito reside unicamente na produção – com a fotografia lúgubre e a fenomenal trilha sonora e mixagem de som – e na performance dos atores.
Como admiradora da obra, considero-me o tipo de fã que preza pela fidelidade extrema ao material de origem. Admito, sim, mudanças de transposição, afinal, o discurso fílmico difere em vários aspectos do discurso literário. Mas, mudanças drásticas na história não são muito de meu gosto tradicionalista.
Primeiramente, um dos pontos mais baixos da adaptação reside no roteiro. Aldous Huxley, que também adaptou a versão de Orgulho & Preconceito (1940) com Laurence Olivier, é famoso por suas mudanças drásticas na história original. Os grandes marcos da trama estão presentes, mas, senti falta de algo que tornasse a narrativa mais orgânica, e assim, natural ao espectador.
Outro aspecto que me incomoda um pouco é a idade dos atores. Não que isso atrapalhe o filme, mas, peca com a verossimilhança dos personagens criados. Afinal, Jane Eyre tinha apenas 18 anos quando se mudou para Thornfield Hall e Joan Fontaine tinha 26 anos quando interpretou a personagem. Ademais, muitos a consideram muito bela para o papel – o que ela realmente é. No livro, Jane sempre é descrita como uma garota comum, ordinária, sem grandes atributos. Apesar desses pequenos detalhes, acredito que Joan consegue capturar a essência da pequena Jane, bem como todos os seus dilemas.
Orson Welles é um caso à parte. A interpretação explosiva do ator emana todo o conflito que jaz no interior de Mr. Rochester, o que o torna um personagem assustador no início. Mas, que conquista a simpatia do espector ao longo da projeção.
Resumindo: para aqueles que não se preocupam com a fidelidade à obra é uma boa adaptação, com produção bem cuidada e interpretações constantes.
A edição brasileira

Como colecionadora, sinto-me constrangida pela edição que temos aqui em nosso país. Lançada pela editora Versátil, a obra recebeu tratamento de DVD de banca, com acabamento de má qualidade, além de nenhum extra.
A segunda versão, com outra capa, é tão medonha que tenho arrepios só de olhar!

Já na Amazon, é possível encontrar uma versão mais polida, com tratamento e apresentação dignos de um clássico.

Essa versão, além de remasterizada, possui extras de produção, story boards e mais.
Resumindo²: É possível encontrar a versão no Brasil, porém, os colecionadores deverão se contentar com uma versão mal tratada do filme, indigna do material que abriga.